
Justiça feita! Agressor de Papini recebe pena de prisão por tentativa de homicídio!
O engenheiro Rafael Batista Bicalho, de 27 anos, foi condenado a cinco anos e cinco meses de prisão em regime semiaberto por tentativa de homicídio contra o médico Henrique Figueiredo Papini de Moraes, de 30 anos. O julgamento ocorreu em um júri popular que se encerrou na madrugada de uma sexta-feira, e o crime remonta a setembro de 2016, na saída de uma boate no Bairro Olhos D’Água, em Belo Horizonte.
A condenação foi proferida pelo Conselho de Sentença do 3º Tribunal do Júri, sob a responsabilidade do juiz Luiz Felipe Sampaio Aranha. A acusação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) alegou que Rafael e seus amigos tentaram matar Henrique com uma série de socos e chutes. O ataque, no entanto, não teve sucesso por circunstâncias que estavam além do controle dos acusados. Durante o processo, a acusação envolvendo os amigos de Rafael foi sendo retirada, terminando apenas com o engenheiro como réu.
O júri contou com uma testemunha de acusação e quatro da defesa, além de ser composto por quatro mulheres e três homens. Henrique, durante seu depoimento, relatou que já havia enfrentado agressões por parte de Rafael e de seus amigos devido ao fato de estar se relacionando com a ex-namorada do réu.
No dia do incidente, Henrique afirmou que foi seguido e agredido por um grupo que incluía Rafael. Após as agressões, ficou inconsciente e necessitou de internamento na UTI, enfrentando complicações de saúde, incluindo perda permanente de parte da audição.
Em sua defesa, Rafael alegou que se aproximou de Henrique para esclarecer uma situação relacionada à sua ex-namorada. Segundo ele, a conversa começou com uma discussão e culminou em agressões. Rafael afirmou que, ao perceber a gravidade dos acontecimentos, decidiu interromper a briga. Ele também revelou ter descoberto uma traição da ex-namorada com Henrique uma semana antes do incidente, o que teria contribuído para seu estado emocional.
A defesa de Rafael, liderada pelo advogado Zanone Júnior, argumentou que o ocorrido deveria ser classificado como lesão corporal, e não tentativa de homicídio. O advogado destacou que, inicialmente, havia uma narrativa de que um grupo havia planejado o ataque, mas essa tese foi desmantelada ao longo do processo.
Henrique, por sua vez, ressaltou que as evidências documentadas no processo mostram a gravidade das agressões e as consequências permanentes que sofreu, incluindo hemorragia cerebral, fraturas faciais e traumatismo craniano. Essas lesões resultaram em sequelas severas, incluindo paralisia facial, surdez, perda parcial do olfato e paladar, além de comprometimentos na visão e equilíbrio. O médico, que na época era estudante, teve que mudar suas atividades esportivas de grupos para modalidades individuais.
A defesa de Rafael também argumentou que a retirada das acusações contra os outros réus demonstrava que não houve premeditação e que a situação se tratou de uma briga isolada. Apesar das alegações de ciúmes por parte do MPMG, a defesa sustentou que a motivação real da briga teria sido uma provocação de Henrique, um ponto que Rafael não havia mencionado nas fases da investigação ou julgamento.
O caso gerou grande repercussão e traz à tona discussões sobre comportamentos violentos e suas consequências, além de sublinhar a importância do sistema judicial na responsabilização de atos graves.