
Bolsonaro Reitera Estratégia Perdida nas Urnas: Poderá Dar a Volta por Cima?
O cenário político brasileiro, apesar de ter mudado, revela semelhanças com o ambiente observado durante as eleições. Nas tentativas de reeleição, o ex-presidente Jair Bolsonaro contou com dois grupos distintos dentro de sua equipe que defendiam estratégias opostas.
Um dos grupos, voltado para a área política, tinha a missão de moderar as falas de Bolsonaro. O foco era evitar que o presidente fizesse declarações que pudessem desacreditar campanhas de vacinação contra a COVID-19 ou que minimizassem os esforços de combate ao coronavírus. Além disso, buscavam conter discursos machistas e ofensivos às mulheres. Essa abordagem era especialmente ressaltada em períodos de debate na televisão. Entre os principais conselheiros desse núcleo estavam os ministros Fábio Faria e Ciro Nogueira. Após as eleições, Nogueira comentou que a derrota de Bolsonaro se deveu a algumas de suas declarações inadequadas.
Por outro lado, o grupo ideológico tinha uma linha de pensamento oposta. Seus membros acreditavam que Bolsonaro deveria se posicionar contra o que chamavam de “sistema”. Essa orientação incluía críticas às urnas eleitorais, às vacinas e ao sistema de justiça, além de fomentar declarações enganosas. Em várias ocasiões, Bolsonaro fez afirmações polêmicas e infundadas, como a de que, na Venezuela, a população teria se alimentado de seus animais de estimação devido à fome causada pelo comunismo.
O desfecho dessa estratégia foi uma derrota nas urnas, com Bolsonaro ficando 2,1 milhões de votos atrás de Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-se assim o primeiro presidente do Brasil a não conseguir a reeleição.
Esse cenário multifacetado dentro da equipe de Bolsonaro reflete a complexidade da política brasileira e as diferentes correntes de pensamento que podem influenciar os líderes em busca de apoio popular e sucesso nas eleições.